Para quem olha de fora, uma obra rodoviária pode se resumir a máquinas e piche. Porém, para as famílias que vivem e produzem no interior de Goiás, a chegada do asfalto representa o fim de uma espera angustiante e o início de um novo ciclo de dignidade e segurança.
É o que relatam produtores rurais beneficiados pelas obras viabilizadas pelo Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), sob gestão do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (IFAG) e do Governo de Goiás.
Na GO-147, entre Bela Vista de Goiás e Silvânia, a pavimentação é aguardada há pelo menos 80 anos, para a família de Oswaldo Machado, cuja propriedade pertence a eles desde 1945. O produtor de 37 anos, que herdou a fazenda dos avós, descreve a atual condição da estrada como um cenário de insegurança constante.
“Hoje, no estado em que se encontra, é rotineiro ver acidentes, carros e caminhões tombados em valas. É assustador”, relata o produtor, que já presenciou fatalidades na porta de casa. Para Oswaldo, a obra não é apenas uma melhoria logística, mas a concretização de “um sonho realizado”.

Ele projeta que, com a estrada nova, será possível trazer mais tecnologia para a lavoura e intensificar a produtividade, além de garantir que máquinas agrícolas trafeguem com segurança.
🏗️ GO-147
As obras da GO-147 começaram no final de setembro deste ano e devem se estender até março de 2027. O projeto inclui 46,2 quilômetros de pavimentação e a construção de uma ponte de concreto armado de 50 metros de comprimento sobre o Rio dos Bois. Serão R$ 170 milhões investidos para contemplar 6,4 mil propriedades em 10 municípios, como Bela Vista de Goiás, Silvânia e São Miguel do Passa Quatro.
Retorno do investimento
Não são apenas produtores rurais que se beneficiarão das obras. Armando Rollemberg, presidente do IFAG, destaca as vantagens para toda a população. “Ambulâncias poderão transitar com a rapidez que se espera desses veículos, estudantes que vivem na zona rural terão mais segurança para ir para a escola e voltar para casa”.
Além do impacto humano direto, as obras geridas pelo modelo prometem agilidade na entrega, reduzindo o tempo de execução em comparação aos modelos convencionais. Estudos realizados pelo IFAG indicam que a cada R$1 investido na pavimentação da GO-147 trará um retorno de R$ 5,70. Para os produtores, no entanto, o maior valor é imensurável: a segurança de ir e vir e a certeza de que o legado de suas famílias poderá prosperar.
Obras em execução
Além da GO-147, existem outras três rodovias que receberão melhorias, cujas obras são financiadas pelo Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra) e estão localizadas em regiões de alto potencial produtivo. No momento, estas são as obras em execução:
- GO-461 (Doverlândia)
- GO-147 (Bela Vista / Silvânia)
- GO-178a (Jataí / Itarumã)
- GO-180 (Jataí / Serranópolis)
- GO-220 (Perolândia / Mineiros)
Como funciona a parceria entre o IFAG e o Governo de Goiás
O IFAG e o Governo de Goiás assinaram um termo de colaboração baseado nas Leis de Contratos de Gestão com Organizações Sociais. Assim como o modelo tradicional de licitação, é prevista pela legislação, mas se difere na desburocratização e rapidez na entrega dos resultados.
As construtoras são pré-qualificadas por um chamamento público realizado pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), e contratadas por uma comissão presidida pelo IFAG. Em vez de focar apenas no menor preço (o que historicamente gera obras de baixa qualidade que precisam de aditivos), o foco é na maior técnica.
Enquanto o modelo convencional de contratação pública leva, em média, 55 meses para concluir o ciclo de uma obra rodoviária, o modelo reduz esse tempo para cerca de 31 meses. Isso representa uma economia de tempo de dois anos.
