O que achamos da série que revive acidente do Césio-137 em Goiânia

A cápsula foi aberta, e o pó de césio-137, até então desconhecido, espalhou-se pela vizinhança. Relembre.

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Foto: Divulgação/Netflix

A apreensão que tomou conta de Goiânia e de Goiás em setembro de 1987, após o maior acidente radiológico urbano do mundo, envolvendo uma cápsula de chumbo retirada de uma clínica abandonada e aberta em um ferro-velho, no Centro da capital, virou série de drama e já está disponível na Netflix.

A cápsula foi aberta, e o pó de césio-137, até então desconhecido, espalhou-se pela vizinhança. Crianças, homens e mulheres tiveram contato direto com o material, passando mal e sendo levados ao hospital. Só então, a cápsula aberta foi encaminhada à Vigilância Sanitária.

A minissérie tem como personagem principal Márcio, interpretado por Johnny Massaro, que estabelece uma conexão importante entre os diferentes núcleos da história, como o governo, a imprensa e as pessoas diretamente afetadas pelo césio.

Apesar de gerar críticas entre os envolvidos no acidente, é importante destacar que a série não é uma representação fiel dos acontecimentos. Criada por Gustavo Lipsztein, a produção evidencia a falta de preparo do Estado na época e o descaso da clínica radiológica ao abandonar o equipamento que causou tantos danos, em um momento em que o Brasil enfrentava uma situação inesperada e desafiadora.

Ao mesmo tempo, a narrativa mostra a atuação de cientistas, físicos e médicos na tentativa de minimizar os impactos causados em Goiânia. O drama da família que teve o primeiro contato com o césio-137 coloca o espectador em constante tensão. Pessoas foram obrigadas a deixar suas casas, objetos pessoais, roupas, dinheiro e até documentos.

Em cinco episódios, o público consegue ter uma dimensão da angústia vivida na época. A série tem um clima de suspense digno de cinema. Os episódios finais evidenciam as consequências devastadoras da contaminação: a perda de familiares, doenças decorrentes da exposição e a exclusão social enfrentada pelas vítimas.

Após 38 anos do acidente, a reconstrução do caso em formato de minissérie amplia o alcance do episódio, especialmente entre as novas gerações, ao evidenciar o perigo que surgiu de forma aparentemente banal e ao colocar o drama humano no centro da narrativa. Vale a pena assistir.