Físico que ajudou a salvar vidas no Césio-137 recebe título de cidadão goiano

Walter Mendes Ferreira foi responsável por identificar a contaminação radioativa em Goiânia, e contribuiu para evitar que a tragédia tomasse proporções ainda maiores.

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Foto: Alego

Atualizado em 28/10/2026 às 15:55

O físico nuclear Walter Mendes Ferreira, um dos profissionais que tiveram papel decisivo na resposta ao acidente radiológico com o Césio-137, em Goiânia, recebeu o título de Cidadão Goiano na noite desta terça-feira (27/10). A homenagem foi concedida pela Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), por iniciativa do deputado estadual Paulo Cezar Martins (MDB), em reconhecimento à atuação do especialista durante a tragédia que marcou a história da capital em setembro de 1987.

Natural de Tupaciguara, em Minas Gerais, Walter tinha 29 anos quando foi chamado para analisar uma peça metálica suspeita, encontrada nas instalações do antigo Instituto Goiano de Radiologia, em Goiânia. O equipamento estava relacionado a um aparelho de radioterapia abandonado e continha material radioativo que desencadeou um dos episódios mais graves de contaminação radiológica já registrados no Brasil.

Em 29 de setembro de 1987, o físico foi acionado pela Vigilância Sanitária de Goiás para avaliar o material. Ao chegar ao local, encontrou uma situação de risco: um bombeiro se preparava para descartar o cilindro metálico em um rio. Walter impediu a ação e determinou a evacuação do prédio da Vigilância Sanitária, medidas fundamentais para evitar que a contaminação se espalhasse ainda mais.

A identificação oficial do material radioativo permitiu que as autoridades mobilizassem equipes especializadas e adotassem medidas de emergência. A atuação do físico foi importante para o enfrentamento da crise e para a preservação de vidas em meio à incerteza e ao medo que tomaram conta de Goiânia.

Durante a sessão de homenagem, o deputado Paulo Cezar Martins destacou a importância do trabalho realizado pelo especialista. Segundo o parlamentar, a intervenção de Walter foi determinante para que o acidente, que já havia provocado graves consequências, não se tornasse ainda maior.

O deputado também lembrou o sofrimento enfrentado pela população goiana e ressaltou que a confirmação da contaminação, em 29 de setembro de 1987, marcou o início oficial da resposta à emergência radiológica.

Ao receber o título, Walter Mendes Ferreira afirmou que a homenagem representa um dos momentos mais marcantes de sua trajetória pessoal e profissional. Embora tenha nascido em Minas Gerais, ele construiu parte importante de sua vida em Goiânia, onde desenvolveu seu trabalho e criou vínculos com a população.

“Não nasci em Goiânia, mas aqui, a partir de 1987, construí laços, criei meus filhos, desenvolvi meu trabalho e vi minha vida profissional tomar forma”, afirmou o físico. Para ele, o reconhecimento oficializa uma ligação com o estado que começou há quase quatro décadas.

Atualmente, Walter é chefe da Divisão de Emergências Radiológicas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), órgão que atua em questões relacionadas à segurança nuclear e radiológica no país.

A cerimônia também foi marcada por relatos de pessoas que acompanharam os acontecimentos de 1987. O jornalista Marcos Cipriano, que trabalhava como repórter na época, relembrou o clima de apreensão vivido pela população, que ainda não sabia a dimensão do acidente nem os riscos envolvidos.

Segundo ele, moradores eram levados ao Estádio Olímpico para passar por avaliações que identificassem possíveis níveis de contaminação. O episódio provocou medo, insegurança e mudanças profundas na rotina da cidade.

Glauciene Umbelina de Freitas Esteves, diretora-geral do Centro Estadual de Assistência aos Radioacidentados Leide das Neves, também destacou a importância da atuação do físico. Para ela, o trabalho de Walter foi decisivo para identificar o acidente e permitir que as primeiras medidas fossem tomadas diante do perigo.