Daniel mobiliza prefeitos para conter avanço da zika, dengue e chikungunya

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES), foram confirmados até o momento 108.540 casos de dengue, 17% a mais do que no mesmo período de 2025.

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Foto: Jota Eurípedes

Atualizado em 20/10/2026 às 13:55

O governador Daniel Vilela determinou, nesta segunda-feira (19/10), a criação de um protocolo com compromissos para os municípios no combate à dengue zika e chikungunya. A medida foi anunciada durante reunião com quase a totalidade dos prefeitos de Goiás e integra a mobilização estadual para conter o aumento dos casos das doenças, impulsionado em 2026 pelo fenômeno meteorológico El Niño.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES), foram confirmados até o momento 108.540 casos de dengue, 17% a mais do que no mesmo período de 2025. Em relação à chikungunya, os 11.309 registros representam aumento de 343% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

“É uma preocupação muito grande. O ambiente este ano, com a antecipação das chuvas e o sol bem quente, mostra-se favorável à proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor dessas doenças, e justifica todo esse aumento. Mas precisamos agir rapidamente para conter isso e os problemas futuros que podem ser gerados em relação aos serviços de saúde pública do Estado, que, consequentemente, são refletidos nos municípios”, explicou Daniel Vilela.

Na ocasião, o Governo de Goiás estabeleceu para 26 de novembro o Dia D de combate à dengue, à zika e à chikungunya em todo o Estado. A SES auxiliará as gestões municipais na logística das ações, que incluem a manutenção das Unidades Básicas de Saúde (UBS) em horário ampliado, conforme a demanda, e de uma unidade de referência em funcionamento nos fins de semana e feriados; o abastecimento das unidades hospitalares com soluções para reidratação oral e venosa, soro e analgésicos; o monitoramento dos estoques de testes e vacinas e outras ações.

“A reunião reforça o caráter municipalista do nosso governo, de apoio, caminhando ao lado das cidades em todas as ações”, ressaltou o governador Daniel Vilela, que também chamou a atenção para o aumento da circulação do sorotipo DEN-3 da dengue, responsável por 53,8% dos casos positivos registrados em 2026. Dos quatro sorotipos existentes (DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4), os tipos 1 e 2 eram predominantes em Goiás. Com o crescimento expressivo dos casos de DEN-3, aumenta a possibilidade de infecção de pessoas que já tiveram contato com outros sorotipos e desenvolveram imunidade específica contra eles.

Ficou estabelecido, ainda, que, todas as quintas-feiras, às 10h, representantes das áreas de saúde do Estado e dos municípios realizarão encontros por videoconferência para atualizar informações e ajustar as medidas a serem adotadas. A partir de agora, as gestões municipais devem mobilizar suas estruturas em frentes como limpeza urbana; obras e infraestrutura; educação; comunicação; fiscalização; e meio ambiente para executar ações de controle, como a eliminação de criadouros do mosquito, a promoção de mutirões de limpeza, a intensificação de visitas domiciliares e a fiscalização de pontos críticos.

Para o titular da SES, Rasível Santos, o foco do trabalho conjunto deve estar na prevenção, além da adoção de todas as medidas logísticas estabelecidas. “Só conseguiremos obter êxito nessa batalha com a união de todos, inclusive da sociedade. O bom exemplo deve partir do Poder Público, mostrando que prevenir é melhor do que remediar”, completou.

Não precisamos deixar o paciente escalar a rampa de complexidade dessas doenças para trabalharmos. Trabalhar de forma preventiva é fundamental para reduzir mortes, complicações, sofrimentos evitáveis e uso de recursos”, salientou. “Eliminar locais com acúmulo de água nas casas, recolher e descartar corretamente objetos que possam servir de criadouros e intensificar a limpeza de calhas e quintais é fundamental.

➕ Mais iniciativas

No encontro, também foram apresentados outros investimentos realizados para apoiar os municípios no controle das doenças. Entre as ações estão a instalação de 5.736 ovitrampas em 104 municípios para monitorar a presença do mosquito; a distribuição de 3.278 Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs); a capacitação de 592 profissionais de 161 municípios; e a disponibilização de equipamentos de fumacê e insumos para as ações de bloqueio e controle do vetor.

O Estado também tem ampliado o uso de novas tecnologias no enfrentamento das arboviroses. A metodologia Wolbachia já está em implantação em municípios como Valparaíso de Goiás, Luziânia e Anápolis, enquanto Aparecida de Goiânia e Trindade se preparam para receber a estratégia, considerada uma das mais promissoras para reduzir a transmissão da dengue, zika e chikungunya.

“Estaremos todos juntos”, frisou o prefeito de Jaraguá e presidente da Federação Goiana de Municípios (FGM), Paulo Vitor Avelar. “Aqui, a gente se preocupa muito com a dengue”, pontuou o prefeito de Aruanã, Arlirio Boi. A cidade é um dos pontos de atenção de Goiás por estar às margens do Rio Araguaia. “Ainda existe uma tranquilidade, mas, se não agirmos agora, vamos apanhar dessas doenças em janeiro. É uma iniciativa muito importante”, afirmou o prefeito de Itumbiara, Dione Araújo.

💉 Vacinação

A reunião reforçou, ainda, a importância da vacinação contra a dengue, disponível para a faixa etária de 10 a 14 anos, conforme diretriz do Ministério da Saúde, além da busca ativa de jovens não imunizados ou com o esquema vacinal incompleto. A vacina Qdenga é aplicada em esquema de duas doses, com intervalo de três meses entre elas.

Para garantir a proteção adequada contra as formas graves da doença, é fundamental que as pessoas que iniciaram o esquema vacinal retornem às salas de vacinação para completar a imunização. Até o momento, foram aplicadas 402.915 doses, o que representa 54,84% de cobertura vacinal para a primeira dose. No entanto, 39,91% das crianças e dos adolescentes estão com doses atrasadas e ainda não retornaram para receber a segunda dose.