Atualizado em 23/09/2026 às 13:56
A disputa pelas cadeiras na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) tem no desenho das nominatas partidárias um dos cenários mais competitivos dos últimos pleitos. A presença expressiva de parlamentares com mandatos consolidados e alto poder de atração de votos inflou a nota de corte partidária. Pelos cálculos de bastidores e projeções do quociente eleitoral, a chapa deve garantir, no teto, quatro vagas diretas no Parlamento estadual.
O grande gargalo da nominata está na presença dos chamados “puxadores de voto”. Nomes com penetração estadual consolidada na eleição de 2022 jogaram a régua de votação necessária para o topo:
- Virmondes Cruvinel (42.925 votos): Forte inserção na capital e no eleitorado urbano da Região Metropolitana.
- Lincoln Tejota (41.456 votos): Ex-vice-governador com penetração pulverizada em dezenas de municípios do interior.
- Jamil Calife (38.248 votos): Votação concentrada e expressiva no Sudeste goiano, tendo Catalão como polo principal.
- Talles Barreto (31.961 votos): Liderança tradicional e estruturada no Norte e Vale do São Patrício.
- Wilde Cambão (29.908 votos): Domínio eleitoral no populoso e estratégico Entorno do Distrito Federal.
Com esse grupo exigindo um volume substancial da votação do partido para garantir sua permanência na Alego, a margem de sobrevivência política para candidaturas regionais ficou drasticamente reduzida. Nesse funil, analistas políticos apontam que nomes de visibilidade majoritariamente municipal enfrentam barreiras quase intransponíveis.
É o caso da ex-prefeita de Bela Vista de Goiás, Nárcia Kelly (PP). Embora ostente recall administrativo e liderança em seu município de origem, sua base eleitoral é considerada pequena no contexto estaduais. Em um colégio eleitoral circunscrito que gera um teto de poucos milhares de votos, candidaturas com essa envergadura tendem a servir precipuamente para encorpar o quociente da legenda, sem força real para ultrapassar a barreira dos 30 mil a 40 mil votos imposta pelos cabeças de chapa.
Outro nome é o do ex-prefeito de Catalão, Adib Elias (MDB). Sua breve passagem pela Secretaria de Infraestrutura pode ter limitado sua oportunidade de ampliar a projeção política para além de sua base eleitoral. Um dos desafios para chegar à Assembleia seria converter o reconhecimento em Catalão em votos suficientes também em Ipameri e nos demais municípios da região da Estrada de Ferro, onde a presença de outras lideranças pode dificultar seu avanço.
A matemática eleitoral indica que, com uma disputa tão inflacionada por detentores de mandato, a sobra partidária será implacável: candidaturas locais com votação média serão fatalmente engolidas pelo peso dos concorrentes de maior envergadura regional.

