As cores que tomam conta de Goiás nesta época do ano não aparecem por acaso. Em pleno período de seca, os ipês transformam ruas, praças e parques e revelam uma estratégia da natureza para garantir a reprodução da espécie.
Os ipês florescem justamente durante a seca porque a falta de água funciona como um estímulo para o ciclo reprodutivo da árvore. Com a estiagem, eles perdem as folhas para reduzir a perda de água e passam a concentrar energia na floração. Sem a folhagem, as flores também ficam mais expostas e atraentes para os polinizadores.
É uma verdadeira estratégia de sobrevivência no Cerrado. A floração acontece antes da chegada das chuvas para que, após a polinização, a árvore possa investir na formação dos frutos e das sementes. Quando o período chuvoso começa, as condições se tornam mais favoráveis para a dispersão e germinação das sementes.
O espetáculo, no entanto, é rápido. Como há pouca água disponível, o ipê não consegue sustentar tantas flores por muito tempo. Depois que ocorre a polinização, as flores começam a cair e a árvore direciona seus recursos para a produção dos frutos e sementes.
A florada transforma a paisagem durante um dos períodos mais secos do ano. De uma hora para outra, árvores praticamente sem folhas ganham copas tomadas por cores. A floração intensa pode durar apenas três ou quatro dias.
E a beleza não termina quando as pétalas caem. No chão, elas formam verdadeiros tapetes coloridos pelas ruas, praças, parques e na zona rural. Um espetáculo passageiro que, todos os anos, muda a cara das cidades goianas e anuncia mais uma temporada dos ipês.
