A Prefeitura de Aparecida de Goiânia voltou a conquistar a nota Capag (Capacidade de Pagamento), indicador concedido pela Secretaria do Tesouro Nacional que avalia a saúde fiscal de estados e municípios. Com a classificação B, a segunda melhor da escala, a cidade volta a ter condições de buscar financiamentos com garantia da União para investir em obras e projetos de infraestrutura.
A Capag funciona como uma espécie de avaliação financeira do município. O indicador analisa critérios como nível de endividamento, capacidade de pagamento das dívidas e controle dos gastos públicos. Quanto melhor a nota, maior a credibilidade da administração para obter empréstimos destinados a investimentos que beneficiem a população.
Segundo o prefeito Leandro Vilela, a recuperação da classificação representa um importante passo no processo de reorganização das contas públicas. A gestão atual assumiu a prefeitura com cerca de R$ 500 milhões em débitos acumulados, cenário que havia contribuído para a perda da nota nos anos anteriores.
“Essa dívida toda expôs uma irresponsabilidade tremenda na administração dos recursos públicos de Aparecida. Faziam da Prefeitura um cabide de empregos, um loteamento de cargos públicos onde pouco se trabalhava e muito se gastava com folha salarial”, denuncia Vilela. O prefeito garante que mais ajustes serão feitos na administração para que a classificação do município evolua para a nota A, a mais graduada.
Em 17 meses, a administração já quitou mais de R$ 300 milhões em dívidas herdadas, incluindo salários atrasados de servidores referentes a dezembro de 2024. Também foram regularizados contratos e restabelecidos serviços que enfrentavam dificuldades por falta de recursos.
✂️ Corte de gastos
Outra medida adotada foi a revisão de despesas consideradas pouco eficientes. A gestão promoveu cortes de gastos, reduziu cargos comissionados e cancelou contratos avaliados como de baixo retorno para a população. Entre eles, estava um serviço de monitoramento por totens de segurança que consumia cerca de R$ 1,5 milhão por mês.
A reorganização financeira permitiu que Aparecida alcançasse indicadores positivos no controle das despesas com pessoal. Atualmente, o comprometimento da receita com a folha de pagamento está em 43,97%, percentual considerado adequado pelos critérios do Tesouro Nacional.
Para o secretário da Fazenda, Carlos Eduardo de Paula, a nota Capag é fundamental porque abre portas para novos investimentos. “É como uma certidão, uma nota de crédito que o município, ao agir com muita responsabilidade fiscal, recupera agora para ser revertida em benefícios concretos, nas ruas e avenidas, para os 600 mil aparecidenses”, explica.
A nota B também habilita Aparecida a avançar na contratação de financiamentos internacionais, como a operação em fase final junto ao Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), que deverá viabilizar a construção de trincheiras, parques, unidades escolares e outras obras em diferentes regiões da cidade.
↗️ Histórico
Historicamente, Aparecida manteve nota A entre 2011 e 2021. Em 2023, a classificação caiu para B e, nos anos seguintes, o município ficou sem nota. Agora, com os resultados fiscais alcançados em 2025, a cidade volta a integrar o grupo de municípios aptos a contratar financiamentos com aval da União, retomando sua capacidade de investimento e planejamento de longo prazo.
