Morre aos 107 anos, Pedro Papiri, símbolo quilombola em Santa Cruz de Goiás

Guardião da tradição oral do quilombo Mucambo, Papiri manteve viva a ancestralidade do povo quilombola e se tornou símbolo de resistência.

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Foto: Reprodução/SEDS

Morreu aos 107 anos, nesta segunda-feira (03/11), Pedro Antônio Miguel, conhecido como Pedro Papiri, um dos principais representantes do povo quilombola da comunidade Mucambo, em Santa Cruz de Goiás, no sudeste goiano. Guardião da memória e símbolo de resistência, Papiri era reconhecido por sua sabedoria e pelas histórias sobre as origens do quilombo, que ajudaram a preservar a tradição oral e a identidade do povo quilombola na região.

Natural de Minas Gerais, Pedro chegou a Goiás ainda na infância, em uma viagem de carro de boi com a família. Segundo o coordenador de Igualdade Racial da Comunidade Quilombola Mucambo, Lindomar Brito, ele faleceu de causas naturais e deixa um legado de religiosidade, coragem e luta. “O legado dele foi muito importante, porque ele foi símbolo de resistência, de força e de coragem, e foi a voz da comunidade que ecoou aqui da origem que nasce a nossa comunidade”, afirmou.

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds) lamentou a morte e destacou a trajetória marcada por sabedoria e defesa das tradições ancestrais. “Papiri foi um dos principais representantes do povo quilombola de Santa Cruz de Goiás, onde sempre esteve presente nas celebrações e lutas da Comunidade Quilombola Mucambo. Sua trajetória foi marcada pela coragem, sabedoria e preservação das tradições ancestrais”, disse em nota.

O sepultamento ocorreu na tarde de segunda-feira (3), com homenagens de familiares, amigos e membros da comunidade quilombola. Para Santa Cruz de Goiás, a partida de Pedro Papiri representa a despedida de uma voz histórica que manteve viva a ancestralidade e o espírito de resistência do povo quilombola.