Governo avalia retorno do Horário de Verão em 2025 após seis anos; entenda

Discussão sobre o retorno do horário de verão ganha força diante do aumento no consumo de energia e necessidade de aliviar a rede elétrica.

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Foto: Reprodução

Atualizado em 23/09/2025 às 10:43

Após mais de cinco anos suspenso, o horário de verão pode retornar ao Brasil em 2025. O tema voltou a ser analisado pelo Governo Federal e por órgãos do setor elétrico, que discutem se a medida pode contribuir para aliviar a pressão no consumo de energia durante os meses mais quentes do ano.

O assunto reapareceu no Plano de Operação Energética de 2025 (PEN 2025), elaborado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O documento alerta para o risco de déficit de potência principalmente nos horários de maior demanda, quando cresce o uso de aparelhos de climatização, como os condicionadores de ar. Caso seja aprovada, a mudança começará à 0h do primeiro domingo de novembro de 2025 e seguirá até a 0h do terceiro domingo de fevereiro de 2026.

Por que a proposta está em pauta

Para Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, adiar a retomada do horário de verão representaria um retrocesso na política energética. Ele argumenta que a estratégia é simples de aplicar, traz ganhos econômicos e ainda contribui para a preservação ambiental. Essa defesa ganha relevância em um ano em que o Brasil será sede da COP30, conferência internacional sobre mudanças climáticas, onde o país terá que reforçar compromissos sustentáveis. Nesse sentido, abrir mão da luz natural para recorrer a termelétricas, segundo ele, contraria o discurso de responsabilidade ambiental.

No passado, a principal justificativa para o horário de verão era a redução do consumo em iluminação pública e residencial. Hoje, os estudos também consideram o papel das chuvas no abastecimento das hidrelétricas e a inserção de fontes renováveis, como energia solar e eólica, na matriz nacional.

Pressão por tarifas mais baixas

A discussão sobre o retorno da medida ganhou força em meio às altas tarifas de energia. Desde agosto, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mantém em vigor a bandeira vermelha patamar 2, que adiciona R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos, o valor mais alto dentro do sistema tarifário.

Quais estados seriam incluídos

Se a proposta avançar, o horário de verão deverá valer nos mesmos estados que participavam até 2019: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal.

Impacto pode ser diferente

Especialistas, no entanto, ressaltam que o efeito atual pode ser menor do que no passado. Isso porque o maior peso na conta de luz hoje não vem mais da iluminação, mas sim do uso de aparelhos de climatização, cuja demanda se mantém alta justamente no fim da tarde e no período noturno, horários em que o horário de verão não reduz significativamente o consumo.