Atualizado em 06/08/2025 às 16:07
Uma servidora pública da Prefeitura de Goiânia é investigada por envolvimento em um esquema de desvio de recursos públicos que teria movimentado R$ 425 mil em pagamentos irregulares. Segundo as investigações, parte do dinheiro teria sido usada para contratar supostos serviços de bruxaria, além de quitar faturas de cartão de crédito e realizar outros gastos pessoais.
A suspeita, que foi alvo de mandados de prisão e de busca e apreensão, teria realizado pelo menos 14 transferências irregulares apenas em 2025. Entre os destinos do dinheiro público estão uma mulher que oferece serviços religiosos, uma associação esportiva, uma farmácia registrada no nome da cunhada da investigada e despesas particulares.
O esquema foi descoberto pela Controladoria Geral do Município, que identificou lançamentos suspeitos no sistema contábil da prefeitura. Conforme apurado, dados falsos eram inseridos no sistema para autorizar os pagamentos diretamente das contas do Executivo municipal.
Batizada de “Operação Ritual do Desvio”, a ação foi deflagrada pela Polícia Civil de Goiás com apoio da Polícia Civil de Alagoas. Mandados judiciais foram cumpridos em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Bela Vista de Goiás e também na região metropolitana de Maceió. A Justiça também determinou o bloqueio de valores dos investigados e o afastamento da servidora das funções públicas.
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre prisões efetuadas nem sobre os itens apreendidos nas diligências. Os nomes dos envolvidos seguem sob sigilo judicial.

📝Nota da Prefeitura de Goiânia
A atual gestão da Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz) informa que, assim que identificou irregularidades no uso de verbas públicas, afastou a servidora envolvida e encaminhou à Controladoria-Geral do Município (CGM) todos os elementos e indícios apurados.
Diante das constatações, a CGM e a Procuradoria-Geral do Município repassaram as informações à Polícia Civil, que deu seguimento à investigação, resultando na operação deflagrada na manhã desta terça-feira (5/8).
A Prefeitura reforça que continuará analisando todos os elementos informativos e dispositivos eletrônicos apreendidos, com o objetivo de aprofundar as investigações e, eventualmente, identificar outros envolvidos.
A atual gestão reafirma seu compromisso com a transparência e o bom uso dos recursos públicos, colocando-se à disposição para colaborar com as autoridades.
📝Nota do Conselho Regional de Contabilidade de Goiás (CRCGO)
O Conselho Regional de Contabilidade de Goiás (CRCGO) informa que tomou conhecimento, por meio da imprensa, da operação “Ritual do Desvio”, deflagrada nesta terça-feira (5/8) pela Polícia Civil de Goiás, envolvendo uma servidora pública da Prefeitura de Goiânia, profissional da contabilidade registrada neste Conselho.
A entidade reforça seu compromisso com a ética, a legalidade e a transparência, princípios que norteiam tanto o exercício da profissão contábil quanto a atuação institucional do CRCGO.
O Conselho esclarece que a servidora investigada não exercia funções contábeis na Prefeitura de Goiânia. Sua atuação estava vinculada à Gerência de Execução Financeira, unidade subordinada ao Tesouro Municipal, com atribuições relacionadas à execução financeira e administrativa de despesas, controle bancário e repasses orçamentários.
A profissional é, até o momento, suplente da Câmara de Fiscalização, Ética e Disciplina do CRCGO, com mandato vigente até 31 de dezembro de 2025. Sua atuação nesse colegiado sempre ocorreu de forma institucional, sem registro de condutas que desrespeitem normas éticas ou regimentais.
No entanto, em respeito à sua função fiscalizadora, o CRCGO informa que está acompanhando o andamento das investigações e, caso necessário, adotará as medidas administrativas e ético-disciplinares cabíveis, conforme o Código de Ética Profissional do Contador, o Regimento Interno e a legislação vigente.
O Conselho repudia qualquer conduta que viole os princípios éticos da profissão contábil ou comprometa a integridade da gestão pública. Reitera também seu compromisso com a valorização da classe contábil e com a confiança da sociedade.
Por fim, reafirma seu respeito ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório, assegurando que toda apuração será conduzida com justiça, imparcialidade e responsabilidade.
