Prefeito de Palmelo ameaça renunciar ao cargo após desvio de R$ 5 milhões

"Justiça não fez nada", declarou Renato Damásio após denunciar que servidor havia desviado recursos da prefeitura e, até o momento, não obter resposta.

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O prefeito de Palmelo, Renato Damásio (Podemos), ameaçou renunciar ao cargo diante da falta de resposta do Judiciário e do Ministério Público de Goiás (MPGO) sobre o desvio de quase R$ 5 milhões dos cofres públicos da prefeitura. O valor teria sido transferido de forma irregular para contas pessoais do ex-secretário de Finanças do município, Gilmar Martins Júnior. Segundo Damásio, a ausência de providências por parte das autoridades tem comprometido as finanças municipais e abalado sua confiança na política.

Em entrevista ao Jornal Opção, o prefeito afirmou que o prejuízo equivale a cinco meses da folha de pagamento do município, estimada em R$ 1 milhão mensais. “Para cidades maiores, talvez não represente tanto, mas para Palmelo, esse valor é expressivo. Nossa arrecadação mensal não chega a R$ 2 milhões”, pontuou. De toda forma, o prefeito quitou a folha salarial deste mês aos servidores no dia 31 de julho.

Renato Damásio disse que recorreu ao Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) e ao MPGO para solicitar o bloqueio de bens do ex-secretário, com o objetivo de recuperar os valores desviados. No entanto, afirma que não obteve resposta satisfatória. “Passamos noites em claro rastreando as transferências feitas para contas pessoais, inclusive da esposa dele. Apresentamos provas, pedidos formais, imploramos por socorro, mas nada aconteceu”, desabafou. “Estou tão decepcionado que penso seriamente em renunciar e deixar a vida pública”, completou.

O prefeito também buscou apoio de parlamentares, tanto da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) quanto da bancada federal. Segundo ele, o senador Vanderlan Cardoso (PSD) demonstrou apoio ao enviar emendas parlamentares à cidade.

Entenda o caso

O caso veio à tona na última terça-feira (29/07), quando o prefeito publicou um vídeo nas redes sociais denunciando o esquema. Ele afirmou que o então secretário de Finanças, Gilmar Martins Júnior, teria desviado recursos públicos para contas bancárias pessoais e da esposa, utilizando o dinheiro para adquirir veículos de luxo e bens armazenados em um galpão identificado pela prefeitura.

A movimentação irregular só foi detectada pela equipe da prefeitura recentemente. A partir disso, o prefeito protocolou pedidos formais no TJGO e no MPGO solicitando o sequestro de bens e a devolução dos valores ao município.

Um inquérito foi aberto na Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Dercap) e deve ser encaminhado ao Ministério Público. A investigação ficará sob responsabilidade da comarca de Santa Cruz, que poderá oferecer denúncia contra o ex-secretário.