Nesta quarta-feira (07/05), o mundo parou para acompanhar de perto um dos ritos mais emblemáticos da Igreja Católica. O conclave, eleição de um novo papa, sucessor do apóstolo Pedro e chefe da Igreja Católica Apostólica Romana, teve início com a reunião dos 133 cardeais na Capela Sistina, no Vaticano. No entanto, o primeiro dia de votação terminou sem consenso, resultando na tradicional fumaça preta.
Milhares de pessoas [o Vaticano não estimou a quantidade] acompanharam a votação diretamente da Praça São Pedro. Às 16h (horário de Brasília), o Vaticano confirmou que a Sé Apostólica permanece vacante e a multidão dispersou rapidamente. Em 2005 e 2013, quando foram eleitos os papas Bento XVI e Francisco, respectivamente, ambos os conclaves duraram dois dias. A expectativa mundial é de que os cardeais alcancem um consenso o mais breve possível.

2ª fumaça preta
A manhã desta quinta-feira, 8 de maio, também começou sem definição no Conclave. A fumaça preta voltou a sair da chaminé da Capela Sistina às 11h50 (horário local), por volta das 5h30 aqui no Brasil indicando que os cardeais ainda não chegaram a um consenso sobre o novo papa após três rodadas de votação.

O Conclave, que reúne 133 cardeais eleitores de 70 países, prevê até quatro votações diárias — duas pela manhã e duas à tarde — até que um candidato alcance a maioria de dois terços dos votos. As próximas votações estão programadas para o período da tarde, com a expectativa de que a fumaça — preta ou branca — seja vista por volta das 17h30 e 19h (horário local).
Caso a fumaça branca surja, indicando a eleição de um novo pontífice, o anúncio oficial será feito com a tradicional frase “Habemus Papam”, seguida da apresentação do novo papa ao público na Praça de São Pedro.
⛪ Qual a expectativa do novo papa?
A demora na escolha do novo pontífice pode revelar uma dualidade entre os líderes do catolicismo. De um lado, estão os cardeais alinhados à visão reformista de Francisco, que defendem uma Igreja mais aberta, inclusiva e engajada em questões sociais e ambientais. Do outro, um grupo mais conservador pressiona por um retorno a posições doutrinárias mais rígidas e por uma reafirmação das tradições litúrgicas e morais. Essa polarização pode dificultar a obtenção da maioria qualificada de dois terços necessária para eleger o novo papa.
Observadores apontam que o atual cenário reflete não apenas disputas ideológicas, mas também preocupações geopolíticas. O crescimento do catolicismo no chamado Sul Global, especialmente na África, Ásia e América Latina, tem levantado questões sobre a representatividade no comando da Igreja, tradicionalmente concentrado na Europa. A eleição de um papa não europeu poderia sinalizar uma mudança histórica e representar uma tentativa de responder aos desafios contemporâneos de uma Igreja verdadeiramente global.
Enquanto o mundo aguarda a fumaça branca que simbolizará a escolha do novo pontífice, a demora prolongada alimenta especulações e incertezas. Independentemente do resultado final, o Conclave de 2025 marca um momento decisivo na trajetória da Igreja Católica, ao evidenciar suas divisões internas e a necessidade urgente de diálogo, unidade e renovação.
